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Haitianos são os principais imigrantes no Brasil

São mais de 51 mil haitianos em terras brasileiras
2016-12-19 11:19:30
Crédito: Reprodução

Os haitianos são os imigrantes em maior número no Brasil. Nos últimos cinco anos, o Conselho Nacional de Imigração (CNIg) concedeu 51.124 autorizações de residência a essa população, de um total de 58.132. Ou seja, 88% do total. O segundo país com maior número de autorizações concedidas foi Bangladesh, com 1.941 vistos, seguido do Senegal, que teve 754 pedidos atendidos.


O principal motivo desse número é o acolhimento humanitário adotado pelo Brasil. De acordo com o presidente do CNIg, Paulo Sergio de Almeida, essa é uma das razões pelas quais o Brasil pode comemorar o Dia Internacional do Migrante, celebrado em 18 de dezembro em todo o mundo.


Acolhimento no Brasil - “O Brasil criou um mecanismo de acolhimento e inserção desses imigrantes no mercado de trabalho, que faz com que o país tenha um papel importante no contexto global dos acolhimentos humanitários e sirva de modelo para os demais países. O governo concede o visto e encaminha a documentação desses imigrantes, permitindo a eles trabalhar e se inserir na sociedade brasileira”, explica Paulo Sergio.


O acolhimento humanitário ocorre em situações especiais. São casos em que o país de origem do imigrante passa por grave ou iminente crise de instabilidade institucional; violação de direitos humanos; ou calamidade de grandes proporções; entre outros motivos. Por isso, o Brasil acabou se tornando um país muito procurado por haitianos, e foi o destino escolhido por Eddy Pierre Myrthil, 31 anos.


Mudança de vida - Pierre cursava Engenharia Civil e trabalhava como professor de inglês na capital do Haiti, Porto Príncipe. Mas, incentivado pelo irmão, que já vivia no Brasil há sete anos, decidiu se unir a ele, em abril de 2014, por causa da recepção brasileira aos haitianos. “Meu objetivo era sair do Haiti. Escolhi vir pra cá, porque consegui o visto e consegui trabalhar”, conta Pierre, que hoje é secretário de uma senadora.


A função atual do haitiano não tem qualquer relação com o que fazia antes. Mesmo assim, ele garante que é melhor viver aqui. “Depois que eu cheguei aqui, vieram mais quatro primos meus que eram estudantes no Haiti. Dois deles já conseguiram emprego. A vida é mais fácil no Brasil”, relata.

Os haitianos são maioria entre os imigrantes também no mercado de trabalho brasileiro. Em 2015, havia 125.535 imigrantes atuando formalmente no Brasil (0,5% do total de trabalhadores), segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais). Desse total, 33.154 eram do Haiti. As demais nacionalidades com representatividade eram portuguesa, paraguaia e argentina.


Regiões Sudeste e Sul - As regiões que registraram maior número de imigrantes no mercado formal foram Sudeste e Sul. São Paulo foi o principal Estado, com 35,8% da força de trabalho imigrante. Em seguida vieram Paraná (12,9%), Santa Catarina (12,8%), Rio Grande do Sul (10,0%) e Rio de Janeiro (9,8%). A maior parte é homem. Eles são 92.144, ou seja, 73,4% do total. As mulheres somam apenas 33.391, 26,6%. Um terço desses trabalhadores tem ensino superior completo ou mais, e um terço concluiu o ensino médio. Uma minoria – pouco mais de 1% - é analfabeta.


O presidente do CNIg, Paulo Sergio de Almeida, lembra, que a crise econômica que atinge o Brasil afetou os imigrantes principalmente a partir da segunda metade do ano passado, quando eles começaram a perder os empregos. Este ano vai fechar com mais desemprego ainda, o que deve afetar diretamente a vinda de imigrantes para Brasil. “Os fluxos migratórios são afetados pela situação do emprego. Os imigrantes vão para países onde há mais oportunidades de trabalho. Como estamos enfrentando essa crise, o número de pessoas que migram para cá consequentemente também deve cair”, avalia.

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