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Triplicam casos de violência contra mulher em Feira de Santana

Somente no primeiro mês do ano o órgão registrou 31 novos casos de violência contra mulheres
2019-02-10 19:17:23
Da Redação
Crédito: Reprodução
Crédito: Reprodução

Seja por falta de orientação ou receio, muitas mulheres vítimas de violência doméstica ainda sofrem em silêncio e a denúncia ainda é considerada um tabu. Mas, apesar do medo de parte das vítimas, a procura pelos serviços de proteção à mulher tem aumentado significativamente em Feira de Santana. Dados registrados pelo Centro de Referência Maria Quitéria (CRMQ), equipamento da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Sedeso) mostram que somente no primeiro mês do ano o órgão registrou 31 novos casos de violência contra mulheres.


Se comparado com o mesmo período do ano passado, o número quase que triplicou, em janeiro de 2018 o órgão registrou apenas 12 novos casos. Durante todo o ano de 2018, além das que já são assistidas no CRMQ, o órgão recebeu mais 331 mulheres vítimas de violência. Segundo Josailma Ferreira, coordenadora do centro, a divulgação das ações da unidade foi o fator que mais contribuiu nesse resultado. “Existe uma visibilidade maior, quando você divulga mais, a rede de proteção a violência da mulher, a mulher percebe que existe um suporte para quando ela resolver fazer a denúncia ou procurar o centro de referência ela vai saber que existe uma equipe preparada para fazer esse acolhimento e fazer a escuta qualificada e os encaminhamentos corretos”, relata.


Conforme a coordenadora, o CRMQ conta com uma equipe multidisciplinar que ajuda as mulheres a compreender e sair do ciclo de violência, “A equipe é composta pelo serviço social que vai fazer a escuta, temos a psicóloga que vai trabalhar com essa mulher na perspectiva do ciclo da violência e o rompimento, a advogada que vai fazer as orientações e encaminhamentos, existe também a pedagoga que vai atender as crianças que chegam acompanhadas de suas mães, ela vai observar o comportamento, saber como é que está na escola para também fazer esse encaminhamento, e isso é muito importante porque a violência doméstica ela não adoece só a mulher, ela adoece todos que estão ao seu redor”, informa.


A dirigente alerta ainda que a violência psicológica é uma das mais comuns, e que muitas mulheres não sabem que são vítimas, “É algo que esta naturalizado no seio familiar, e que as vezes a mulher nem percebe, que acontece quando ela é menosprezada, humilhada, quando ela é privada de ir e vir, sem que ela nem perceba o agressor lhe tira o convívio com alguns familiares, com amigos, o direito também de vestir o que deseja”, exemplifica.


A coordenadora acrescenta ainda que muitas das mulheres que sofrem esse tipo de violência estão em um relacionamento há muitos anos, “Existem mulheres que estão acima de 30 anos de relacionamento e nesse ciclo de violência, o que acaba ao longo do período desenvolvendo outros transtornos, como depressão, bipolaridade”, inclui.


TESTEMUNHO


Uma mulher que foi vítima desse tipo de violência, e atualmente é assistida pelo Centro há dois meses, mas que por segurança prefere ter o nome preservado, relata como se sente dentro do CRMQ, “Eu conheci o centro por acaso quando estive no CAPs infantil, e aí vi o slogan do CRMQ logo do lado, aí fiquei curiosa, e pensei comigo, ‘olha menino onde eu me deparei?’, justamente no que eu estou precisando e quando a gente busca a Deus ele mostra os caminhos para a solução. Quando eu vim para o Centro no primeiro momento eu fui muito bem acolhida, pessoal foi muito atencioso comigo, me deram todo o apoio, então eu me sentir muito bem, desde o primeiro dia que pisei os pés no Centro”, relata.


Vale ressaltar que para ser assistida no Centro não é necessário realiza uma ocorrência na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM), “O CRMQ trabalha na perspectiva de fazer com que a mulher compreenda esse ciclo de violência, para que ela rompa esse ciclo. A denúncia é feita na DEAM, mas se essa mulher chegar no centro e durante o atendimento percebermos que ela está em situação de risco, nós vamos sim, acompanhar essa mulher, até a delegacia, para que ela faça a ocorrência”, informa.


Josailma frisa que o CRMQ funciona de segunda-feira a sexta-feira, de 8h às 17h, e que a instituição acolhe todas as mulheres, “Estamos de braços abertos para amparar qualquer mulher, independente de classe social, de cor, raça, nós estamos dispostas a ajudar a mulher feirense, assim ela precise do serviço. Também realizamos a tele orientação, a mulher pode ligar para o Centro através do número (75) 3616-3433 e procurar uma das técnicas que vai está sempre à disposição para responder os questionamentos e também convidar para que ela venha até o Centro de Referência”, finaliza.


Feira é o terceiro município na Bahia em processos abertos de violência contra mulher


Por mês, são abertos em média 1.212 processos de violência contra a mulher na Bahia, de acordo com dados do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). São 51% nas varas de Salvador e 49% nas comarcas de Camaçari, Feira de Santana, Juazeiro e Vitória da Conquista.


Os números correspondem ao período de janeiro de 2017 a dezembro de 2018. Entre as comarcas do TJ-BA, Vitória da Conquista é a que menos concede medidas protetivas - 15,7%. Quem lidera é Juazeiro (69%), depois Camaçari (59,4%), Salvador (45,6%) e, por último, só perdendo para Conquista, Feira de Santana (24%).


Das medidas protetivas concedidas no período de dois anos, algumas estão ativas e outras já foram extintas por perda do objeto - quando não há mais necessidade da proteção, seja porque a vítima foi realocada a uma casa de apoio ou em caso de prisão do agressor. Nas cinco comarcas, são 9.911 medidas que ainda produzem efeitos.

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