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Teatro

Espetáculo PARA-ISO estreia dia 10 de abril na internet

Em 8 episódios singulares, a narrativa propõe uma reflexão sobre o modo como o HIV e o Covid tem atingido os corpos gays
2021-04-08 15:14:32
Crédito: Divulgação
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Bahia Estado Solidario

Após meses de pesquisas e 24 dias de imersão criativa durante fevereiro e março de 2021, o CORRE Coletivo Cênico estreia virtualmente a partir do dia 10 de abril PARA-ISO, espetáculo teatral dividido em oito episódios disponíveis pelo Youtube do CORRE, um por dia. A peça episódica remonta a trajetória de um homem gay que vem a óbito, a partir da visão de cinco personagens que têm suas vidas atravessadas por Ele. 

 

PARA-ISO propõe uma reflexão sobre o modo como o HIV/Aids e o COVID-19 têm atingido os corpos gays, numa tentativa de tecer uma correlação entre as epidemias que distam em 40 anos. Até 31 de março de 2021, já morreram em um ano mais pessoas de COVID-19 (317.936) do que de HIV/Aids (281.156) nessas quatro décadas.

 

Vividas por Anderson Danttas, Igor Nascimento, Luiz Antônio Sena Jr, Marcus Lobo e Rafael Brito - integrante do CORRE - as personagens Leka, Tito, Miguel, Rogério e Paul, respectivamente, se encontram na Casa PARA-ISO, em que Ele morava, na noite de seu velório. Ao passo que enxergam/visitam esse espaço, agora vazio e cheio de mensagens subliminares, transbordam as memórias. 

 

Ao trazer esse enredo e ao mirar para os estigmas criados em torno desses vírus que Ele positivou duplamente, a obra convida o público a ir além dos mesmos, assim como de suas respectivas sorologias e doenças, para pensar o Brasil e sua colonialidade cis, hétero e branco que atracou em terras baianas no século XVI.

 

Ao correlacionar as epidemias, o CORRE mira para os modos como ambas foram e são abordadas. Por exemplo: a ideia de grupo de risco como alvo para contágio e proliferação do vírus, no caso do HIV/AIDS a ideia atravessa os corpos gays vistos como propensos a positivarem para o vírus, em uma ação perversa de culpabilização - "peste gay", "câncer gay"; a prerrogativa do isolamento - fechamento de fronteiras, solidão dos corpos que padecem diante de um "diagnóstico".

 

A dramaturgia escrita por Luiz Antônio Sena Jr., que também assume a direção, traz ainda o ideal da comunidade imune que acaba por escolher quem deve morrer em virtude da "imunidade", gerando os corpos demunes - que não estão no padrão ideal, ou seja, que não se alinham a cis-hetero-branco-normatividade. A necropolítica. Outro recorte é a validação do vírus como espectro social que espelha as hierarquias com seus abismos sociais.

 

Tudo isso acaba vindo à baila na cena, no discurso das personagens que estilhaçam reflexões, conhecimentos e provocações acerca das sorologias e suas respectivas doenças, de modo até didático, por vezes. PARA-ISO é uma carta aberta, um manifesto, uma mensagem disparada para atingir diversos. São temas que atingem a todos e todas sem distinções. 

 

"Nos baseamos nesses marcadores para entender o vírus social que afeta e mata muito mais. É importante mudar o foco do olhar, perceber os preconceitos estabelecidos e como podemos quebrá-los, usando as estratégias desse tempo, mas sempre se inspirando nas narrativas deixadas por aqueles e aquelas que vieram antes de nós", reforça Marcus Lobo, co-diretor do espetáculo.

 

PARA-ISO tem na sua ficha técnica Roquildes Junior na trilha sonora que conta com música original de LUI, criada especialmente para a obra, figurino de Luiz Santana e captação de imagens de Dante Vicenzo. Produção executiva de Anderson Danttas e Igor Nascimento. A iluminação da Casa tem assinatura de Luiz Antônio Sena Jr e Marcus Lobo, com técnica de Alisson de Sá. 

 

O projeto tem apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Programa Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultural do Ministério do Turismo, Governo Federal.  

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