PMFS novo
Nota alta no ENEM

Jovem cobra política pública voltada aos estudantes carentes

Matheus de Araújo Moreira Silva, 25 anos, obteve quase 980 pontos na prova de Redação do ENEM 2021, pretende montar um projeto para atender a jovens
2021-04-15 11:34:48
Crédito: Divulgação
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Bahia Estado Solidario

O jovem Matheus de Araújo Moreira Silva, 25 anos, estudante da rede pública residente no bairro Viveiros, em Feira de Santana, que sonha formar-se em Medicina e obteve quase 980 pontos na prova de Redação do ENEM 2021, pretende montar um projeto para atender a jovens. O objetivo é ajudar alunos que necessitem melhorar a sua performance na importante disciplina. O compromisso foi feito por ele na última quarta-feira (14), em pronunciamento na Tribuna Livre da Câmara Municipal.


“Espero ser símbolo de resistência destes jovens, para que lutem por vitórias”, diz ele, que é natural de Antônio Cardoso, filho do pedreiro Antônio e da doméstica Raimunda, o mais velho de uma família dos seis irmãos.


Preocupado com os danos que a pandemia de coronavírus está causando à educação, com muitos colegas deixando de estudar, pediu à Câmara a criação de “políticas firmes” pela reintegração desses jovens á escola. Também apelou aos vereadores gestões para que a Biblioteca Arnold Silva, da Prefeitura, que ele chama de sua “segunda casa”, seja reformada. “Já fizemos (ele e outros frequentadores) muitos requerimentos, e nada. Acho absurdo Feira ter apenas uma biblioteca municipal, mesmo assim sucateada”, diz ele.


Com o fechamento deste espaço público, ele tentou utilizar as instalações da Associação de Moradores do Viveiros, mas o barulho o impedia de concentrar-se, como também ocorria na residência dos pais - um dos irmãos, inclusive, é portador de defi ciências. Conseguiu então, por empréstimo, a casa de uma amiga, que passou a ser o seu local de estudo para o ENEM. Não havia energia elétrica, mas ele utilizava a lanterna do celular, quando a noite chegava. Estudava seis horas por dia e dava reforço escolar para outros alunos, para conseguir dinheiro de algumas despesas. “O que entrava era pouco”, recorda-se.


Matheus ingressou na UEFS para cursar Enfermagem em 2015, após se preparar desde 2013 para o vestibular e ser bem sucedido, passando em 7º lugar. Para alcançar este objetivo, trabalhava pela manhã, fazia cursinho pela tarde e estudava na Biblioteca Municipal à noite. Lembra-se que no último dia do exame não tinha dinheiro para alimentação. “Fiz a prova em jejum, só água”. Após dois anos, desistiu do curso. “Vi que não era o que eu queria”. Então, não retornou em 2018. Ele diz ter consciência de que o ingresso na faculdade de Medicina, sonho cada vez mais alimentado sempre que olha para o irmão “especial”, é algo incerto, mesmo tendo obtido uma nota destacada. “Já cheguei ao meu ápice, fruto de quase oito anos de estudos e sacrifícios. Se não conseguir desta vez, não sei se vou continuar”, confessa. 

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