PMFS novo
Diz especialista

Equívocos contribuíram no retardo do combate à pandemia

Paula Muniz é doutora em Ciências da Saúde e atualmente consultora em Saúde e âncora na bancada do Programa Saúde em Foco da Rádio Geral
2021-05-03 10:36:52
Da Redação
Crédito: Divulgação
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Bahia Estado Solidario

Na semana em que o Brasil completou 400 mil mortos por Covid-19, e Feira de Santana com mais de 630 óbitos, a equipe do Jornal Folha do Estado conversou com a doutora em Ciências da Saúde, atualmente consultora em Saúde e âncora na bancada do Programa Saúde em Foco da Rádio Geral, Paula Muniz, que traçou o perfil da pandemia no município.


Para Paula Muniz, houve uma série de equívocos no tratar da pandemia no Brasil. “Quando a gente fala nessa questão da pandemia, eu acho que é importante a gente discutir algumas questões. O coronavírus chegou de uma forma que a gente não conhecia, a transmissibilidade é muito grande. E uma das questões que eu acho que houve alguns equívocos foi nas metodologias utilizadas”, diz.


Segundo ela, a condução das medidas e fiscalizações não foi seguida pela população. “Quando a gente fala em lockdown, é uma coisa de curto prazo e de medidas duras. Aqui fechou no faz de conta que eu mando, faz de conta que você cumpre. Bem diferente do que aconteceu nos outros países que tiveram medidas restritivas de fechar tudo por dez dias, ninguém saiu de casa mesmo, não aconteceu aglomeração nem festas escondidas. É assim que a gente consegue achatar a curva de toda coisa que a gente ouviu falar mesmo no começo da pandemia. Assim conseguiria se preparar para entender esse vírus, pra que pudesse ter tempo hábil”, explica.


Porem, o Brasil não caminhou assim. A consultora de Saúde reforça que o caminho trilhado pelo país, o de não adoção da máscara logo no começo, apesar de saber que era uma doença respiratória, as medidas sem fiscalização e as pessoas sem obedecer o isolamento gerou a situação atual. “O nosso erro foi esse, alguns fecharam outros não. Um negacionismo assolando o país atrasando o nosso prosseguimento. Então, eu tenho um país de dimensão continental, onde o negacionismo quis acreditar que era uma gripezinha”, afirma.


Para ela, se as pessoas tivessem cumprido as medidas e tomado precauções, o Brasil estaria em uma situação melhor.


Sobre a utilização das forças armadas como forma de conter as pessoas em casa, Muniz afirma que não precisaria tanto. “Eu acho que se os nossos gestores, que são referências pra todos nós em termos de querer cuidar da população, tivesse dito para confiar na ciência, que existe uma pandemia, se os gestores tivessem se posicionado ao lado da ciência, dando credibilidade a ciência, nós teríamos avançado muito mais, porque se eu não tenho acesso a informação, eu vou ser por qualquer pessoa que me disser”, explica.

 

Crédito: Mário Supúlveda/FE


Vacina e plano de vacinação


Para a doutora em Saúde, a metodologia usada para atingir a população com a vacina foi feita de forma tardia e incorreta. “Infelizmente nós perdemos todas as ofertas de vacinas que foram dadas no ano passado. Em setembro, a vacina da Pfizer não foi comprada. Nós só começamos o processo de compra de vacinas em janeiro de 2021. Chegamos atrasado nesse processo de compra e agora nós não temos vacina em quantidade. É preciso vacinar as prioridades das prioridades. Então, é a conta gota para quem eu recebo e para quem eu preciso dar. Com certeza trabalhadores de saúde que estão na linha de frente são prioridades, é fato. É preciso vacinar também os idosos, porque eles têm mais complicações, então eu tenho que proteger essas pessoas”, diz Muniz.

 

Muniz pontua que o Plano de Vacinação apontava algumas fragilidades. “Eu sou uma pesquisadora da educação e da saúde, e assim a gente procura o Plano de Vacinação de Feira de Santana, são tantas abas que você tem que entrar, que acaba dificultando. Não é acessível e a inda é uma folha de ofício sem todas as informações, só tem as quatro etapas, dizendo quem são, mas não tem mais nada”, conta.


A profissional de saúde ainda alerta que a preocupação deveria ter sido sobre “o transporte urbano ou fazer o comércio abrir em horários escalonados para que o transporte urbano não fosse lotado”. 

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